Américo Santos

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                       O OUTRO LADO DOS TRACK-DAYS

 

ESTE ARTIGO ESCREVI-O E FOI PUBLICADO NA REVISTA MOTOJORNAL Nº 856 

 

Escrevo-vos por saber que os tão apreciados track-days estão ai á porta. Esta mensagem não é mais do que um alerta, principalmente para quem nunca fez nenhum, ou para aqueles que já fizeram alguns mas que com sorte nada de mal lhes aconteceu.

Todos aqueles que se preparam para entrar em pista pensam desta maneira: vou rolar “calmamente”, sem exagerar; nem vou ter preocupação alguma com os tempos; não vou “discutir travagens” com ninguém; enfim não vou arriscar a estragar os meus “cromados” ou dar cabo da motinha que tanto me custou a pagar (ou que ainda está a ser paga).

Isto seria o ideal que todos pensassem a dois segundos do final do track-day, mas a realidade infelizmente não é esta. Há demasiados perigos envolvidos que todos eles somados nos fariam desistir de imediato da ideia de fazer algum.

A segurança é fundamental (todos sabemos isso) e esta só se consegue se andarmos sozinhos em pista. É impraticável! A própria organização tem que pagar o aluguer do autódromo, os meios de segurança envolvidos e, claro está, ainda ter lucro. E quanto mais lucro melhor! O pior é que quantos mais participantes (lucro) queremos ter, maior é o risco a que sujeitamos os mesmos.

Os acidentes quase sempre sucedem nas curvas. Ou porque se chega muito depressa, ou porque um “nabo” cortou-nos a trajectória, ou porque levei um “chega para lá”, etc… Quase nunca vi ninguém pilotar á medida da moto que tem. Por exemplo, as CBR 1100 XX, as Hayabusas ou as ZX 12R andam que se fartam mas os travões não têm a potência dos seus motores devido ao seu grande peso. Por isso vos estou aqui a alertar que estas motos têm travões na primeira passagem pela recta da meta, mas que á segunda passagem deixaram de ter travões e passaram a ter “abrandadores” (especialmente na curva 1 do Estoril). As mil desportivas são muito mais eficazes mas têm um problema: o “candidato a piloto” quer conhecer o limite de uma máquina que poucas diferenças tem de uma moto de corrida. Já vi uma GSXR 1000, com 3000 quilómetros, em que a única coisa que dava para aproveitar era a roda traseira (recta interior do Estoril).

O que realmente nos dói a alma é ver o carinho que alguns proprietários têm pelas sua montadas, apresentando-as nas boxes cheias de lustro com öhlins, akrapovic, ermax, malha de aço, cavas da roda… Tudo isto é lindo numa moto e torna a nossa condução muito mais segura em pista mas… e se de repente, ao fazermos uma curva, somos abalroados por uma daquelas motos com “abrandadores”? Pode acontecer esta ou dezenas de situações similares e apesar de não terem tido culpa alguma ficam com a vossa moto destruída, feridos e ninguém assumirá as culpas ou irá pagar o que quer que seja.

                             

A minha intenção de escrever esta mensagem não tem a ver com moralismos. Aquilo que quis foi alertá-los para o outro lado dos track days, o lado que ninguém quer ver ou dos que já viram mas que fazem por esquecer.

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