Americo Santos

 "Porque viajar é preciso..." 


C R E T A    2 0 1 3

 

 

A viagem a Creta apesar dos muitos quil�metros sempre a considerei como a mais f�cil dos 3 extremos Europeus a conquistar. Foi das viagens que maior prazer me deu, mas tamb�m a mais stressante. Viajar ?amarrado? a reservas � completamente o oposto � minha filosofia de viajar de moto.

Como de costume o Cabo da Roca foi o local de partida, as hostilidades abrir-se-iam no dia seguinte com uma tirada de mais de setecentos Kms.

 

 

Os dois principais factores que condicionam uma viagem podendo mesmo levar à não realização ou insucesso da mesma, prendem-se com o estado da moto ou condição física dos ocupantes. Devido às características únicas deste tipo de veículo em que os ocupantes estão expostos aos elementos atmosféricos é de capital importância 

que estejam bem de sa?de quando iniciarem a viagem. Aconteceu aquilo que mais temia, dois dias antes da partida adoeci. Apresentava sintomas de fadiga e sobretudo suores frios que apareciam e desapareciam, mas a minha temperatura era perfeitamente normal. Esta situa??o estava a deixar-me com os nervos em franja, est?vamos a poucas horas do in?cio da viagem, j? hav?amos gasto 800? e ainda n?o hav?amos percorrido 1 Km. Adiar a partida seria o mais aconselh?vel, mas com hor?rios de ferries a cumprir, tornava-se impreter?vel que sa?ssemos no dia e ? hora planeada. Escusado ser? dizer que nessa mesma noite pouco dormimos devido ao estado em que me encontrava. T?nhamos deixado a moto preparada na noite anterior para assim evitar atrasos j? que t?nhamos muitos Kms pela frente. Amanheceu com uma temperatura a rondar os 20?C e com uma leve brisa fresca, n?o estava calor, longe disso. Continuava a n?o me sentir melhor por isso era continuar com a medica??o e controlar-me para n?o preocupar ainda mais a S?nia. Antes de sairmos alter?mos os rel?gios para a hora espanhola.

O pai da S?nia o Sr. Isaac, havia-nos pedido que quando part?ssemos pass?ssemos pelo caf? que este queria despedir-se de n?s. No dia anterior dissemos-lhe que ir?amos sair muito cedo, logo ?s 07h00 por isso o caf? deveria estar fechado. Mas n?o, este j? havia falado com o Sr. Hern?ni dono do caf? e afian?ou-nos que estariam abertos ? nossa espera. Ainda me lembro da sua cara quando nos viu chegar, equipados e de moto carregada sabendo que o nosso destino estava a milhares de kms. "Que aventura"! N?o parava de dizer. Am?rico cuida bem da minha filha, deixo-a ir porque sei que tens muita experi?ncia e milhares de kms de moto por essa Europa. Foi quando o Sr. Hern?ni nos perguntou se quer?amos um caf?, n?o resisti, j? a S?nia torcia o nariz. Ela odeia caf?, mas ? importante que o tome pois tem tend?ncia a adormecer o que ? deveras perigoso sobretudo numa moto. Despedimo-nos do pai da S?nia, vi nos seus olhos um misto de orgulho e receio pelo que a sua filha se preparava para fazer. Quando nos prepar?vamos para arrancar, este n?o resistiu e levou o indicador ? testa, fazendo-nos sinal que ?ramos LOUCOS. A viagem havia come?ado!

Tom?mos o caminho em dire??o a Alverca, com o objectivo de apanhar a A1 para maior rapidez e seguran?a. A moto encontrava-se bastante pesada e cada vez que t?nhamos de parar num sem?foro ou passadeira de pe?es era nessa altura que o peso mais se fazia sentir.

Quando delineei a viagem, foi no sentido que se evitasse o maior n?mero de portagens tornando-a assim o mais econ?mica poss?vel. O trajecto recomendado pelo Via Michelin era entrar na A1 em Alverca, sair em Abrantes apanhar a A23 at? Castelo Branco passando pelo Fund?o, Guarda e finalmente a A25 (IP5) que nos levaria at? ? fronteira.

No dia anterior n?o havia atestado completamente o dep?sito da FJR e como tinha 330Kms em territ?rio nacional, resolvi n?o arriscar atestando apenas 5? perto da Covilh?. Assim era certo que t?nhamos o bastante para chegar a Fuentes de O?oro e ai atestar a um pre?o mais acess?vel. As temperaturas at? Castelo Branco, foram sempre na ordem dos +22/+23?C mas a partir dai e at? Vilar Formoso sempre a subirem at? aos 31?C.

Depois de cruzar a fronteira era hora de fazermos a tirada que mais me desagrada. ? verdade que o asfalto tem boas condi??es e estrada larga, mas pejada de in?meros cami?es e com uma paisagem deveras desinteressante. N?o fossem umas quantas est?tuas de vacas coloridas na berma da estrada a provocarem-nos o sorriso e seria uma monotonia. Por esta altura j? ansi?vamos por parar para almo?ar aproveitando para esticar as pernas.

At? Tordesilhas a minha situa??o n?o se havia alterado, os suores frios continuavam. N?o tinha temperatura nem expectora??o o que de alguma maneira me deixava mais tranquilo. A experi?ncia diz-me que n?o devemos viajar de moto quando nos encontramos doentes. Os motociclistas que o fazem arriscam a que uma simples constipa??o possa evoluir rapidamente para uma pneumonia. Esta era uma viagem feita toda ela em Agosto com temperaturas altas a tend?ncia seria melhorar e n?o o contr?rio. Contudo sabia que tinha 2 dias cr?ticos pela frente. O primeiro com a adapta??o do corpo ?s condi??es de viagem e o segundo com as baixas temperaturas nocturnas e matinais que caracterizam a zona de Burgos e junto ? fronteira. Tantas foram as vezes que cruzei esta estrada, que estava bem ciente daquilo que me esperava. Tinha f? que rapidamente ambos come??ssemos a apreciar a viagem como merec?amos.

Almo??mos e predispusemo-nos a fazer as centenas kms que faltavam at? Burgos. Apesar da contrariedade a nossa moral continuava em alta e ao longo do dia entretivemo-nos a brincar um com o outro em cima da moto. Passava pouco das 19h00 quando cheg?mos, fruto de um pequeno engano do nosso GPS que nos levou a atrasar. Nos kms finais, este resolveu que seria interessante assistir ao trabalho das ceifeiras no campo. No ar uma nuvem de palha esvoa?ava e a poucos metros do destino, nem de prop?sito, uma das ceifeiras junto ? estrada atirou com quilos de palha por cima de n?s. Confesso que por 1 ou 2 segundos deixei de ver a estrada. Lembro-me apenas da S?nia a rir-se ? gargalhada. Foi com a roupa coberta de palha que nos apresent?mos na recep??o para tratar da nossa estadia.

Est?vamos um pouco cansados, era natural j? que se tratava apenas do primeiro dia, decidimos por isso ir para a cama mais cedo. Jant?mos e de seguida lig?mo-nos ? net, hav?amos prometido a todos quantos nos acompanhavam, que diariamente ir?amos dar informa??es e colocar fotos relativas ? viagem.

Apesar do cansa?o adormecer n?o foi f?cil, eram 23h30 e ainda havia tagarelas a falar e ?s gargalhadas em alto e bom som. Resolvemos colocar os tamp?es nos ouvidos que usamos em viagem e foi rem?dio santo.

A S?nia adormeceu r?pido, eu nem por isso j? que continuava com os suores frios. Como n?o sentia qualquer melhoria, nessa noite resolvi mudar de medica??o. Como estaria no dia seguinte?

 



2? DIA 18AGO (805 Kms)
 

Tal como previra a noite em Burgos fora bastante fria com os term?metros a acusarem apenas +11?C ?s 06h30.

A minha principal preocupa??o era o meu estado de sa?de. Durante a noite havia dado conta que tinha deixado de suar. Ao fim de 3 dias finalmente come?ava a sentir-me melhor. Ambos sab?amos o que isto significava, nessa manh? sentimos Creta ficar bem mais perto. N?o sei se fora a nova medica??o o que sei ? que as nuvens negras que pairavam sobre a viagem estavam agora a dissipar-se.

Hoje iriamos fazer a maior etapa de toda a viagem, era por isso um dia importante para n?s mas sobretudo para a S?nia, pois o m?ximo que havia percorrido num s? dia fora 560Kms. Preparava-se por isso para bater o seu pr?prio record pessoal. Nisto de bater recordes n?o se escolhem dias ou condi??es favor?veis, adaptamo-nos ?s dificuldades do momento e superamo-las. Contudo n?o iria ser f?cil j? que os primeiros 200 kms at? ? fronteira iriam ser percorridos com temperaturas baixas e nevoeiro.

Demoramos na arruma??o da bagagem, era a primeira vez que trabalh?vamos como equipa nesta viagem, a aus?ncia de rotina tornava-nos extremamente lentos. O Bar encontrava-se ainda fechado, como tal n?o fora poss?vel tomar o pequeno-almo?o.

De est?magos vazios e com frio a nossa motiva??o era m?nima ou nenhuma em iniciar viagem nestas condi??es. Com isto acab?mos por sair apenas ?s 07h45.

Liguei o motor e de imediato accionei o elevador do vidro colocando-o na sua posi??o mais alta para uma maior protec??o do vento e do frio. Por estar nevoeiro e tamb?m por estarmos com equipamento de Ver?o, optei por uma velocidade reduzida.

A eficaz protec??o do vidro da FJR aliada aos punhos aquecidos, seriam o suficiente para aguentar as primeiras horas da manh?. Conforto em viagem exige-se e os punhos aquecidos s?o uma das pe?as fundamentais nesse cap?tulo. Que bem que sabia o calor emanado nas palmas das minhas m?os. A S?nia optou por se manter bem junta ?s minhas costas, de tal forma que por mais que me mexesse ela n?o descolava.

O meu blus?o de Ver?o era novo, manda a pondera??o que numa viagem longa deveremos optar por vestu?rio com provas dadas o que n?o era o caso. Mesmo com centenas de milhares de quil?metros de moto, por vezes cometemos erros de principiante.

J? o blus?o da S?nia era um 4 esta??es, que aliado ?s protec??es r?gidas colocadas nas pernas contribu?am bastante para amenizar o efeito do frio. Ainda assim era not?rio que ela n?o estava de todo confort?vel. O frio era tal que ignorei a placa a indicar a autoestrada. Era dif?cil circular a 90 Km/h, se aumentasse a velocidade estaria a piorar ainda mais a nossa situa??o. Fic?mos assim pela N-I e com isto poup?mos uns euros para o pequeno-almo?o.

Acab?mos por entrar na autoestrada s? em Donastia e poucos Kms depois par?mos numa bomba Repsol. Depois da FJR abastecida finalmente o pequeno-almo?o. A S?nia torcia o nariz ao caf?, mas desta vez com raz?o. O caf? que nos serviram era absolutamente intrag?vel, valeu-nos os croissants e a simpatia de quem nos atendeu.

O nevoeiro e o frio mantinham-se, decidi por isso num refor?o de roupa para ambos. Apesar de n?o chover as cal?as imperme?veis iriam dar-nos a protec??o extra que as nossas pernas exigiam. A diferen?a foi not?ria logo ap?s os primeiros Kms, sent?amo-nos agora bem mais confort?veis apesar das condi??es adversas.

O nevoeiro acabou por se dissipar j? perto da fronteira, por esta altura a temperatura era ligeiramente mais alta chegando aos +17?C. Assim que vimos a placa ?France?, par?mos e n?o hesit?mos em fazer uma sess?o fotogr?fica ali mesmo.

Tomada a A64 em direc??o a Toulouse, t?nhamos agora um limite de velocidade de 130Km/h. Era o prazer de devorar Kms mas tamb?m a monotonia das autoestradas.

Antes de iniciar a viagem havia comprado um pneu novo para tr?s e decidido manter o da frente. Face aos quil?metros e desgaste que este apresentava julgava-o capaz de fazer a totalidade da viagem. Ao decidir pela sua n?o substitui??o teria no entanto de fazer uma gest?o do desgaste do pneu. O peso, as temperaturas do asfalto e sobretudo a velocidade eram factores determinantes no sucesso dos meus intentos.

At? Montpellier, o nosso destino, o tr?nsito esteve sempre bastante intenso com constantes abrandamentos que nos obrigavam a circular por entre os carros a baixa velocidade.

Cada vez que nos aproxim?vamos de uma portagem, era um verdadeiro calv?rio. T?nhamos que esperar por vezes 10min at? podermos efectuar o pagamento. Durante este per?odo, est?vamos completamente vulner?veis aos gases de dezenas de autom?veis e a uma temperatura de +35?C. Sentia o ar quente que saia do motor queimar-me as pernas.

Quanto mais perto de Montpellier, maiores os problemas de tr?nsito com as constantes portagens a agravar ainda mais esta situa??o. Nos ?ltimos kms, n?o nos restou alternativa sen?o rolar pela berma da autoestrada j? que as 3 vias se encontravam imobilizadas.

No final, embora exaustos est?vamos felizes com a nossa presta??o. Hav?amos percorrido 805 Kms num s? dia, com nevoeiro, muito transito e com temperaturas dos +11?C aos +35?C. A autoestrada havia no entanto provocado marcas bem vis?veis no pneu da frente...

 

 

 

3? DIA ? 19AGO (522 Kms)

 

Manh? estranhamente fria para a regi?o e para a altura do ano, mesmo assim nada que se comparasse ? vivida no ?ltimo dia em Espanha.

As etapas maiores haviam ficado para tr?s o sentimento reinante era que tudo seria mais f?cil doravante.

O plano para hoje seria entrar em It?lia n?o sem antes explorarmos Cannes e o Principado do M?naco. Apesar de ser uma etapa com menos quil?metros, ainda assim era conveniente sairmos cedo para assim aproveitarmos o tempo dispon?vel.

Est?vamos novamente na autoestrada, desta vez em direc??o a Marselha. Os engarrafamentos do dia anterior estavam ainda bem presentes na nossa mem?ria fazendo-nos temer que estes se repetissem. Felizmente isso n?o veio a acontecer j? que o tr?nsito flu?a sem qualquer tipo de problema.

Est?vamos focados em encontrar a esta??o de servi?o com o pre?o mais baixo e os placards informativos n?o deixavam margem para d?vidas que o Carrefour seria o eleito. Reabastecida a moto era tempo de tomar o nosso pequeno-almo?o.

Os primeiros kms da manh? s?o sempre os mais f?ceis especialmente depois de uma noite bem dormida que nos enche de energia.

Ap?s 270Kms hav?amos chegado a Cannes, onde os mais de 30?C convidavam a banhos de sol e mar. Da avenida ? beira mar podia-se vislumbrar uma praia sobre lotada de banhistas. Felizmente os nossos planos n?o inclu?am fazer praia, se fizessem teria sido deveras dif?cil descortinar um espa?o no areal.

Para a moto n?o tivemos qualquer dificuldade em encontrar espa?o para estacionar o pior mesmo era o imenso calor que se fazia sentir. Passe?mos por Cannes mas ao fim de algum tempo desistimos de o fazer. Tornara-se cansativo o facto de termos que andar com bagagem e blus?es para onde quer que fossemos. Assim conclu?mos a reportagem fotogr?fica e decidimos ir almo?ar no M?naco. Antes n?o o tiv?ssemos feito!

Depois de uma avalanche de portagens, eis-nos chegados ao principado. Uma fila imensa e compacta de ve?culos fez com demor?ssemos uma eternidade at? Monte Carlo. Parecia Lisboa em hora de ponta com a diferen?a na qualidade do parque autom?vel, Ferraris, Lamborghinis, Maserattis, Bentleys, Bugatti, etc? Enfim, ve?culos de alta performance e de muitas centenas de milhares de euros que passam a sua vida no eterno congestionamento do tr?nsito Monegasco. Perante filas de tr?nsito paradas a tend?ncia natural de quem anda de moto ? ultrapassar. Aqui n?o ? de todo aconselh?vel j? que a Policia ? implac?vel para com os infractores.

Finalmente chegados a Monte Carlo dirigimo-nos para o parque de estacionamento mas este tinha a indica??o de esgotado. Perguntamos a um pol?cia mas este ainda assim disse-nos para entrar. No interior repar?mos que motos e scooters entravam e saiam sem qualquer controlo. As cancelas por serem curtas deixavam espa?o mais que suficiente para se poder passar. O objectivo passava por deixar na moto o m?ximo de bagagem poss?vel. Apesar de ser uma tarefa relativamente simples a quantidade de gases e o calor existentes no interior da garagem dificultavam-nos a ac??o. Aquilo que quer?amos era sair dali o mais r?pido poss?vel e o pouco tempo que demor?mos foi o bastante para ensopar por completo a T?shirt que usava.

Era a estreia da S?nia no M?naco, eu j? aqui havia estado por outras ocasi?es. Gosto da vista sobre a marina, n?o gosto do ambiente de ostenta??o e futilidade que caracterizam o principado.

Almo??mos e demos um passeio tirando algumas fotos aos locais mais importantes. Quando nos sentimos bem as horas parecem segundos e sem darmos conta estava na altura de partir novamente.

T?nhamos pela frente 200 Kms at? G?nova onde ir?amos passar a noite em casa de uns amigos.

A entrada em It?lia despertou-nos de imediato para a dura realidade do que ? viajar num pa?s com gasolina a quase 2? o litro. Um verdadeiro exagero se comparado com 1,44? que abastec?amos em Espanha. A poucos Kms de G?nova, fomos presenteados com uma chuva ligeira, um pronuncio daquilo que nos esperava.

O nosso GPS apesar de algo ?mandri?o?, ainda assim n?o falhou e deixou-nos mesmo ? porta de casa da Camila e do Francesco. A S?nia desmontou, tocou ? campainha e segundos depois avist?mos a Camila. Transportada a bagagem e acomodados no magn?fico apartamento, foi com deslumbramento que da janela vimos a magnifica vista sobre a cidade de G?nova. Conhe?o It?lia de norte a sul mas nunca havia aqui estado. G?nova foi para mim uma agrad?vel surpresa, pena n?o termos podido explora-la devidamente com os nossos amigos.

O ser?o foi deveras animado, os nossos anfitri?es haviam-nos preparado uma ceia farta e suculenta tipicamente Genovesa. O prato principal era Pesto, bem regado com um tinto Italiano mas a estrela da noite fora o Focaccio.

O Focaccio que pode ser feito de diversas maneiras, com azeitonas ou cebola, sendo esta ?ltima a minha favorita. Na mesa havia ainda uma grande variedade de queijos que fizeram as del?cias dos apreciadores em especial da S?nia. J? a aguardente do Francesco confesso que foi do melhor que j? bebi. Potente no entanto suave nada parecida com a que coloco no meu caf? em Portugal. Fora uma noite memor?vel onde a Camila e o Francesco nos demonstraram a ?arte de bem receber?. Recolhemos ao quarto perto da meia-noite, apesar de cansados a aguardente dava-me mais vontade de cantar ?o sole mio? do que propriamente dormir. A previs?o meteorol?gica para o dia seguinte era de chuva, logo no dia em que n?o nos pod?amos atrasar para o ferry?

 

 

 

4? DIA ? 20AGO (990 Kms)

 

Hoje ? dia de apanhar o primeiro dos v?rios ferries da viagem. A nossa op??o recaiu no porto de Ancona por considerar ser esta a escolha mais l?gica. Se tivermos em conta que as principais cidades Italianas encontram-se a norte de Roma, n?o faz sentido deslocarmo-nos a Bari ou Brindisi se tivermos como ?nico objectivo apanhar o ferry para a Gr?cia. Seria uma perda de tempo e dinheiro!

Este foi um daqueles dias que ficar? gravado na nossa mem?ria e come?ou logo a partir do momento em que nos deit?mos.

Cerca da 01h00 da manh? a S?nia j? dormia e eu come?ava a cair no sono. De repente o gato saltou para cima das minhas pernas, dei um salto, acendi as luzes e l? estava o bichano ao fundo da cama. Primeiro o espanto, depois o riso, mas logo nos control?mos n?o querendo acordar o Francesco que iria levantar-se ?s 04h00.

Passados uns 30 minutos e refeito do susto o cansa?o e o sono tomavam conta de mim quando comecei a ouvir o alarme da moto. Mau! Mas o que ? que foi agora? Fui ? janela, chovia copiosamente, rel?mpagos e vento forte. As rajadas eram t?o fortes que a moto abanava mesmo no descanso central fazendo soar o alarme. Disse ? S?nia que tinha que tirar a moto do local sob risco de esta poder cair com o vento. Sair de uma cama quente directamente para a chuva e para o frio era horr?vel mas pior seria se de manh? chegasse ? rua e visse a moto no ch?o. Por isso vesti rapidamente as cal?as imperme?veis e o blus?o com o intuito de traze-la para junto da entrada onde ficaria abrigada. Depois de estacionada queria voltar rapidamente para a cama para ver se dormia alguma coisa.

Chegado ao quarto, foi ao despir-me que reparei que tinha as costas e o peito molhados. O blus?o era novo tinha vindo do Canad? o que me atra?ra nele fora a quantidade de bolsos muito ?teis para quem viaja de moto. Ainda incr?dulo, fui ver a etiqueta, dizia Made in China, pronto est? tudo dito.

Ainda no dia anterior tinha visto a meteorologia e davam previs?o de chuva para Bologna. N?o podia acreditar, chuva pela frente e eu com um blus?o que n?o me protegia da chuva. Demorei a adormecer s? pensando no raio do blus?o dos xeneses.

Toca o despertador, eram 06h30 e a sensa??o que tinha era que havia acabado de fechar os olhos h? segundos. ?gua fria na cara e um cafezito iriam p?r-me como novo.

N?o havia tempo a perder t?nhamos que nos despachar pois o Ferry ainda estava longe e n?o esperava por n?s. A partida do ferry estava marcada para as 16h00 mas exigiam que estiv?ssemos 2 horas antes para Check-In. Se consegu?ssemos sair ?s 07h00 ter?amos duas horas para gerir o que seria mais que suficiente.

A simp?tica da Camila quis levantar-se para se despedir de n?s, tom?mos o pequeno-almo?o e aproveit?mos para lhe pedir emprestado um imperme?vel do marido. Rapidamente colocou em cima da mesa uma s?rie de imperme?veis ? nossa disposi??o. Foi uma querida! N?o quer?amos saber do design ou da cor o que importava era que me protegesse da chuva.

Com a conversa e com os beijinhos quando olhei para o rel?gio a folga de duas horas resumia-se agora a apenas uma. Na teoria at? pode parecer f?cil distribuir uma hora pelas diversas pausas ao longo dos 550 Kms, na pr?tica n?o ? bem assim, h? sempre os imponder?veis.

Bagagem arrumada e malas montadas na FJR era tempo de nos fazermos ? autoestrada o quanto antes. O dia amanheceu lindo ningu?m diria que h? poucas horas tinha passado por G?nova uma verdadeira tempestade. O c?u estava azul e n?o havia o mais pequeno ind?cio que fosse chover, trouxera o blus?o do Francesco e o mais certo era nem usa-lo.

A op??o da autoestrada fazia todo o sentido, principalmente para quem como n?s estava ref?m de hor?rios. Tinha pensado reabastecer fora da autoestrada, j? que o pre?o da gasolina compensava o desvio. No entanto a escassez de tempo inviabilizava qualquer ideia que nos fizesse atrasar ainda mais.

O tro?o de G?nova a Piacenza ? bastante interessante ao n?vel da condu??o com curvas para todos os gostos. N?o pod?amos no entanto abusar das inclina??es em curva j? que o asfalto se apresentava h?mido e a moto bastante pesada. Se o fiz?ssemos al?m de corrermos riscos estar?amos tamb?m a contribuir para o desgaste prematuro do pneu da frente, que por esta altura j? n?o estava nas melhores condi??es.

Bolonha aproximava-se rapidamente e com ela o receio que a chuva nos atrasasse irremediavelmente.

At? agora as paragens tinham-se remetido apenas a reabastecimentos. O objectivo era manter o m?ximo de tempo de reserva dispon?vel at? bem pr?ximo de Ancona.

Ao longe, nuvens amea?adoras faziam-nos temer o pior quando ainda faltavam mais de 100Kms at? ao destino. Parei na primeira oportunidade por forma a vestirmos as cal?as imperme?veis e o blus?o do Francesco por cima do meu.

Nem 5 Kms depois ca?ram os primeiros pingos e passados alguns minutos chovia torrencialmente. Tinha dificuldade em ver os carros que circulavam ? nossa frente. A falta de visibilidade fez com que o tr?nsito abrandasse significativamente. Por esta altura alguns automobilistas haviam decidido que n?o havia condi??es para continuar, acabando por imobilizar os seus ve?culos na berma da autoestrada. N?o podia acreditar no que estava a acontecer?

Numa viagem realizada ? minha maneira (sem reservas), era altura para dar por terminado o dia procurando um local para passar a noite. Nesta viagem infelizmente isso n?o era op??o, j? que se n?o apanh?ssemos o ferry em Ancona perder?amos tamb?m o pr?ximo para Creta.

Podia-se contar pelos dedos os ve?culos que ainda circulavam a maioria estava encostada ? berma e a visibilidade era praticamente nula.

Apesar da chuva via-me obrigado a viajar com a viseira entreaberta para permitir a entrada de ar de maneira a n?o embaciar. Na viagem que havia feito ao Cabo Norte em 2008 havia-me preparado para a chuva. Tinha levado inclusive um l?quido anti embaciador para aplicar na viseira que fazia maravilhas. Nunca me passou pela cabe?a que numa viagem em pleno Agosto para a Gr?cia fossemos surpreendidos por um aut?ntico dil?vio.

Comecei por sentir os bra?os molhados e pouco depois o tronco, para minha surpresa o blus?o emprestado tamb?m n?o era imperme?vel. Foi quando parei para saber da S?nia que vi realmente o quanto molhado estava. N?o sentia uma ?nica parte do corpo seca. A minha preocupa??o no entanto ia para com o telem?vel e m?quina fotogr?fica que tinha guardado nos bolsos e que agora estavam molhados.

Mudar de roupa n?o fazia sentido, continuava a chover e n?o tinha imperme?veis que protegessem a roupa seca. A ?nica op??o era continuar at? Ancona no estado em que me encontrava. Felizmente que a S?nia estava seca, exceptuando alguma ?gua que entrara pelo capacete e os p?s que se encontravam totalmente encharcados. O seu blus?o Bering manteve-a sempre seca, enquanto eu com um blus?o Spidi H2out em casa estava ali ensopado com um dos chineses.

Este foi um dos pontos mais baixos da nossa viagem, chovia torrencialmente, fazia frio e t?nhamos ainda tantos kms pela frente. Neste momento t?nhamos a consci?ncia que est?vamos a correr s?rios riscos, teimando em continuar a fazer Kms em condi??es t?o perigosas.

A desloca??o do ar ? medida que os kms passavam, arrefecia cada vez mais e mais o meu corpo molhado. Era como se o vento gelado tocasse directamente na minha pele.

Estava rapidamente a perder temperatura corporal o frio desconcentrava-me na condu??o e isso n?o poderia acontecer. Tinha que fazer algo, foi quando me lembrei de ligar os punhos aquecidos o que acabou por surtir algum efeito. As luvas eram de Ver?o estavam totalmente encharcadas mas com o calor emanado dos punhos era como se tivesse as m?os mergulhadas em ?gua quente.

Apenas a uma dezena de Kms de Ancona finalmente deix?mos de ser fustigados pela chuva. Como ainda t?nhamos 15 min, resolvemos ir ao Lidl para ai trocar de roupa e aproveitar para fazer umas compras para a viagem. A S?nia foi a primeira enquanto eu fiquei junto ? moto onde aproveitei para verificar os estragos que a chuva havia feito.

Espalhei pelo ch?o a roupa molhada para que secasse e tratei de abrir o saco de dep?sito para ver se tinha entrado ?gua. Quando reparei que no seu interior os vouchers dos Ferries estavam ileg?veis comecei a praguejar?

As folhas haviam-se colado misturando n?meros e letras umas nas outras tornando-se dif?cil decifrar os c?digos das reservas. Aqueles vouchers representavam quase 800? em Ferries e estavam agora ileg?veis. Descolei folha a folha e coloquei-as no ch?o para que secassem o que acabou por resultar.

Depois de tamb?m ter mudado de roupa era altura de nos pormos a caminho do porto de embarque e quanto aos vouchers seja o que Deus quiser.

A nossa indument?ria n?o deixou ningu?m indiferente ? nossa chegada ao check-in. Viaj?vamos de moto mas quem nos visse mais parecia que ?amos para a discoteca com a S?nia inclusive de saltos altos. Na altura n?o houve tempo para escolher a roupa, agarr?mos na primeira que vimos que por acaso destinava-se ? noite de Creta.

Chegados ao guichet do Check-in, confesso que senti uma certa vergonha quando apresentei um papel desfeito e desbotado, dizendo que t?nhamos tido um problema com a chuva. A resposta da senhora foi pronta, n?o preciso ver o papel basta olhar para as vossas caras para ver que apanharam chuva. Risada geral!

Ela l? conseguiu decifrar o c?digo de reserva e como o voucher do dia seguinte estava nas mesmas condi??es deu-nos tamb?m os restantes bilhetes. Agora despachem-se que j? come?aram a embarcar, dizia ela.

Foi uma simpatia, despedimo-nos e montados na moto faz?amos por seguir as indica??es das placas que nos levaram at? ao Superfast XI da companhia de ferries Anek.

Junto ? rampa de embarque os bilhetes foram mostrados a um elemento da tripula??o e entr?mos no seu interior. O lugar que estava reservado ?s motos situava-se no 1? andar. O navio era de facto enorme!

Estacion?mos a moto junto a outras, tranc?mos os capacetes a cadeado, deix?mos na moto a roupa molhada e tudo o resto que n?o pretend?amos levar conosco.

Subimos por um elevador directamente para o bar/esplanada onde havia uma piscina, para assim podermos assistir ? partida do nosso ferry.

Constat?mos que a grande maioria dos passageiros que ali se encontravam eram jovens, falavam uns com os outros aos berros e alguns deles j? se encontravam alcoolizados mesmo antes do navio sair para o mar.

Aproveit?mos para comer o que hav?amos trazido do Lidl, fal?mos sobretudo da chuvada horr?vel e de tudo o que nos aconteceu desde as primeiras horas.

Para mim continuava a parecer irreal o facto de conseguirmos estar ali depois de termos superado todas as prova??es por que pass?mos num s? dia.

Sentia-me orgulhoso com a S?nia e havia um sentimento m?tuo de miss?o cumprida.

 

 

 

5? DIA ? 21AGO (869 Kms)

 

Depois de 20 horas fechados num ferry era grande a expectativa de colocarmos novamente os p?s em terra e logo num pa?s que para ambos era estreia absoluta. A primeira coisa que fizemos mal acord?mos foi alterar o rel?gio para a hora grega (+2horas).

Para quem nunca viajou no Superfast XI da Anek saiba que ? um navio de 200 mts de comprimento com uma capacidade para 1.639 passageiros e 653 ve?culos. Bares, restaurantes, discoteca, casino, sal?o de jogos, piscina, parque infantil, enfim todas as condi??es que estamos habituados a ver num cruzeiro.

Ao embarcar no Superfast XI n?o estranhem que os tripulantes metam conversa convosco. ? perfeitamente natural e garanto-lhes que n?o lhes v?o pedir dinheiro ou algo em troca, est?o apenas a comportar-se como gregos. Super-simp?ticos e predispostos a ajudarem no que for preciso.

Eram 07h00 quando o ferry fez uma escala inopinada no porto de Corfu onde desembarcaram na sua maioria jovens. Enquanto tom?vamos o pequeno-almo?o foi bastante not?ria a sua aus?ncia a bordo, principalmente pelo regresso da paz e do prazer que um cruzeiro pode proporcionar sem a presen?a de jovens alcoolizados e desordeiros a bordo. ?s 09h00 o ferry iria atracar em Igoumenitsa seria a ?ltima paragem antes do nosso destino. A sa?da pouco lesta por parte de alguns passageiros foi deveras irritante. Estivemos imenso tempo ali atracados ? espera que abandonassem o navio para podermos seguir viagem. Este egocentrismo por parte de alguns passageiros comprometeu irremediavelmente a possibilidade de chegarmos a horas ao porto de Patras.

Enquanto almo??vamos brinc?vamos com o facto de h? quase um dia n?o vermos a nossa moto. Parecia que hav?amo-nos portado mal e como castigo tinham-nos tirado a moto.

Finalmente ecoou aos altifalantes do navio o aviso que o ferry iria atracar em Patras. O nosso cora??o disparou e rapidamente nos desloc?mos ? garagem para nos prepararmos para o desembarque.

L? estava a nossa menina num hangar enorme e praticamente deserto.

Descemos a rampa que dava acesso ao piso inferior e rapidamente est?vamos no cais. Imediatamente um calor abrasador entrou pela viseira dos nossos capacetes apanhando-nos completamente desprevenidos. O sol parecia ter garras e o term?metro da nossa moto n?o parava de subir. N?o hav?amos sa?do ainda do porto e j? come??vamos a ter uma pequena amostra do que iria ser viajar na Gr?cia durante o m?s de Agosto.

Estavam +39?C e t?nhamos pela frente cerca de 209 Kms at? Atenas. O nosso GPS havia endoidecido, obrigando-nos a guiar pelas placas existentes. Vim a descobrir mais tarde que a sua desorienta??o, prendia-se com o facto de a estrada ser recente n?o constando por isso no mapa instalado do GPS.

Opt?mos pela autoestrada at? Atenas, j? que as informa??es que t?nhamos sobre as estradas secund?rias na Gr?cia n?o eram as melhores.

O custo das portagens era de 4?, muit?ssimo mais barato se comparado com o que pag?mos em Fran?a ou It?lia mas a qualidade deixava muito a desejar. O asfalto parecia uma manta de retalhos com obras que nos restringiam a velocidades de 50 ou 60 Km/h. J? fic?vamos satisfeitos cada vez que vislumbr?vamos um sinal de proibi??o de 80 Km/h e mais satisfeitos ainda com espor?dicos 110 Km/h, isto numa autoestrada.

Quando analisamos um mapa ficamos com uma ideia que por vezes n?o se coaduna com o que depois vemos no terreno. Dai a extrema import?ncia do trabalho de pesquisa no planeamento de uma viagem. S? desta forma conseguimos ficar com uma vis?o mais clara daquilo que nos espera.

A decis?o de reservarmos o ferry para Creta para o dia seguinte, teve como base o depoimento de viajantes que haviam feito este tro?o uns meses antes. Mais vale prevenir que remediar!

N?o est?vamos a perder um dia de viagem, pelo contr?rio, est?vamos a poucas centenas de quil?metros de uma cidade mundialmente famosa que para n?s era uma estreia.

Ir?amos aproveitar ao m?ximo para explorar Atenas deixando para o regresso o restante que faltasse ver.

Conduzir na Gr?cia, no in?cio, foi um pouco estranho mas depressa nos habitu?mos, j? que os Gregos conduzem na berma da estrada. Qualquer faixa de rodagem com 2 vias ? transformada em 4 mesmo com tra?o cont?nuo. Mas n?o se assustem as bermas s?o suficientemente largas e limpas para nelas conduzirmos em seguran?a. O transito flui e as ultrapassagens processam-se com a maior das facilidades.

Durante o percurso, devido ao muito calor, rol?vamos de blus?es e viseiras dos capacetes abertos. Sempre que par?vamos beb?amos bastante ?gua para n?o corrermos o risco de desidratarmos.

A temperatura do asfalto por esta altura devia de andar na ordem dos +50?C, demasiado alta para a durabilidade dos pneus.

Quase a chegarmos a Atenas passou a haver um controle intenso de radares. Os tradicionais radares fixos e Policias empunhando ?pistolas de radar?. Nada que n?o tiv?ssemos ? espera, sendo sempre informado atempadamente pelo Gps do radar que se segue.

Quando entr?mos em Atenas a ideia formada que tinha da cidade n?o se traduzia com aquilo que via. Em alguns aspectos at? muito parecida com algumas cidades Marroquinas de ruas sujas e com muita polui??o. Atenas estava sendo uma verdadeira desilus?o a ?nica coisa que me deixava feliz era saber que este n?o era o nosso destino final.

 J? passavam das 19h00 t?nhamos de descarregar rapidamente a moto, se quer?amos ainda visitar a Acr?pole que distava a apenas 9 km do local onde nos encontr?vamos.

Se j? achava Atenas uma confus?o a pra?a Monastiraki era o expoente m?ximo dessa mesma confus?o. Chegados ai estacion?mos a moto e quando coloc?vamos o cadeado em U para guardar os nossos capacetes, fomos interpelados por um casal. Disseram-nos para n?o deixarmos ali a moto correndo o risco que se o fiz?ssemos seriamos autuados. N?o v?amos o porqu?, n?o havia placas que o impedissem. Est?o na Gr?cia meus amigos a Policia aqui faz o que quer, apontando para o papel de multa na moto ao lado. Agradecemos-lhes!

Antes de abandonarmos o local ainda nos confidenciaram que um dos seus sonhos era conhecer Espanha e Portugal na sua moto. Esperamos vivamente que o vosso sonho se concretize, dissemos-lhes.

Com isto perdemos tempo a procurar um novo local para estacionar a moto. Finalmente e ao fim de uns 10min um estacionamento destinado a motos.

A p? e sempre a subir foi assim que tent?mos a nossa sorte. Eram 20h05 quando cheg?mos ? Acr?pole esta havia encerrado ao p?blico ? apenas cinco minutos. Passadas tantas horas e ainda sofr?amos as consequ?ncias dos comportamentos egoc?ntricos que resultaram no atraso do ferry.

Estava desolado, n?o s? o caminho havia sido em v?o como poder?amos ter perdido a ?nica oportunidade de visitar a Acr?pole durante a viagem. N?o adiantava chorar sobre o leite derramado a solu??o era aproveitar o pouco tempo de luz dispon?vel e visitarmos o m?ximo que consegu?ssemos at? ao final do dia.

O rochedo que se erguia junto ao templo estava repleto de turistas que para al?m da vista privilegiada sobre a cidade, eram tamb?m brindados por um magn?fico por do sol. Devido ? quantidade de gente que acede ao local a rocha est? polida o que a torna muito escorregadia. Um passo em falso e cai-se de uma altura de centenas de metros para uma morte certa. O local tem tanto de bonito, quanto de perigoso.

Regress?mos ? moto junto a esta havia um bar tipicamente grego onde recuper?mos as for?as e saciamos a sede com umas cervejas geladas FIX. Os aperitivos que nos serviram eram muito bons mas a verdade ? que ainda nos provocavam mais sede. De seguida demos um passeio pelas lojas t?picas de Atenas, muito coloridas e repletas de um cem n?mero de odores.

O dia estava no fim, antes de regressarmos n?o quisemos deixar passar a oportunidade de visitar o Parlamento Grego e assistir ao famoso render da guarda.

 

 

 

6? DIA ? 22AGO (361 Kms)

 

O facto de termos na nossa posse os bilhetes do ferry e a dist?ncia ao porto de Piraeus ser de apenas 12 Kms, permitia-nos acordar um pouco mais tarde do que vinha sendo habitual.

A partida do ferry estava marcada apenas para as 10h e a companhia de ferries Anek era a mesma que nos havia transportado de It?lia para a Gr?cia. Positivamente influenciados pelo ferry anterior est?vamos bastante curiosos para saber como seria o pr?ximo.

De acordo com a informa??o contida nos bilhetes do ferry este encontrava-se atracado na entrada E2.

Ainda n?o t?nhamos visto o cais de embarque e j? eram vis?veis placards indicando as v?rias entradas. Come?ava do n?mero maior para o mais pequeno por isso n?o havia que enganar, depois da E3 surgia a? E1. E1? Mas ser? que pass?mos pela E2 e nem a vimos? Est?vamos os dois bastante intrigados, principalmente porque as entradas eram t?o grandes que era imposs?vel n?o a termos visto. Como nos restava a E1, opt?mos por entrar e procurar o navio dentro do pr?prio porto.

No caminho j? havia visto um ferry da Anek e at? tinha feito sinal ? S?nia, mas ao aproximarmo-nos constat?mos que a entrada n?o correspondia ? dos bilhetes.

O porto ? enorme com diversos ferries das v?rias companhias. Ter?amos que descobrir o ferry da Anek mas com um cais repleto de cami?es a tarefa n?o se adivinhava f?cil. Serpente?vamos por entre estes e cheg?mos inclusive a rolar em contra m?o. Por fim uma placa indicava E2 para a esquerda, quando me preparava para seguir, reparo numa outra escrita ? m?o que indicava para a direita. Mau! Est?o a gozar conosco? Tir?mos ? sorte e segundos depois avist?mos o ferry.

Dirigimo-nos ? popa do navio onde um membro da tripula??o orientava a entrada dos ve?culos. Explic?mos que quer?amos ir para Chania mas que n?o hav?amos encontrado a entrada E2. Este pediu-nos os bilhetes e depois de os devolver disse-nos num perfeito ingl?s Welcome Aboard (Bem vindos a bordo) enquanto fazia sinal para avan?armos. Ainda incr?dulo, olhei para tr?s e na entrada lia-se E3?

Assim que subimos a rampa as diferen?as para o ferry anterior eram mais que evidentes, menor, mais antigo e tamb?m mais degradado. O local de estacionamento das motos continuava a n?o mudar, 1? andar ? proa e a bombordo.

Como ainda n?o t?nhamos tomado o pequeno-almo?o dirigimo-nos ao bar junto ? recep??o. Ice coffee, Donuts e uma garrafa de ?gua que nos foi servido com enorme simpatia. A conversa com a empregada flu?a de tal forma que esta acabou por se esquecer de colocar os donuts na conta. N?o t?nhamos dado por isso, apenas ach?mos estranho ser t?o barato. Como hav?amos pago em dinheiro, nem nos demos ao trabalho de conferir o recibo. Mais tarde esta disse-nos que se havia esquecido dos donuts, mas que n?o t?nhamos que pagar porque o erro havia sido dela. Nada disso, dissemos n?s, pagamos j?!

Era altura de procurar uns lugares bem confort?veis para a viagem, afinal de contas sempre seriam 9 horas at? Creta.

Ovelhas ronhosas h? em todo o lado e aqui n?o ? excep??o. Pergunt?mos a uma senhora se os lugares estavam ocupados, j? que havia uma s?rie de pequenos objectos espalhados por todos os sof?s em redor de uma mesa. Notei nela alguma indecis?o mas acabou por permitir que nos sent?ssemos. Passados alguns minutos chegou o marido, um sexagen?rio, que ao constatar a nossa presen?a ralhou com a mulher. Este tinha para si um sof? de 3 lugares mesmo assim n?o chegavam, queria tamb?m todos os outros em redor da mesa.

N?o sei como a maioria das pessoas reage perante comportamentos destes, mas quando se passa comigo ? quando fa?o pior. Direi apenas que saimos dali quando este deixou de resmungar.

A ?ltima parte da viagem foi toda ela feita na esplanada ? popa do navio observando o mar e os pequenos ilh?us que por vezes se avistavam.

Foi quando a S?nia j? dormia que soou o aviso ao altifalante, est?vamos prestes a atracar no porto de Souda.

Souda? Esse nome n?o me diz nada. Como tinha o GPS liguei-o e vi que Souda estava a escassos 6 Kms de Chania. Hav?amos chegado!

Dirigimo-nos ao hangar para a? aguardarmos pelo desembarque. Ali chegados uma desagrad?vel surpresa, tinham amarrado as motos umas ?s outras com um ?nico cabo que passava por todas elas. Caso uma tivesse ca?do, teria arrastado todas as outras consigo. N?o sei se se tratou de incompet?ncia ou neglig?ncia ou se as duas juntas.

Depois do desembarque o destino era Mithimna a escassos 5 Kms de Kissamos. Ter?amos ainda de percorrer 39 Kms para darmos o dia por encerrado.

Cheg?mos! Houve quem duvidasse ? certo, mas isso ? para quem n?o conhece os nativos dos signos Touro e Carneiro, ?failure is not na option? (falhar n?o ? op??o).

Ap?s o p?r-do-sol um jantar a dois, bem rom?ntico para comemorarmos a nossa chegada.

Em Kissamos numa esplanada com uma temperatura de 30?C, sabore?mos a t?o famigerada comida grega acompanhada com cervejas FIX que por esta altura se haviam tornado nossas amigas insepar?veis. Para terminar o repasto e como oferta da casa, melancia bem fresquinha e o famoso Raky. Pag?mos apenas 14?!

De barrigas inchadas de tanto comer, foi com alguma dificuldade que subimos para cima da moto. Ali?s lembro-me bem de gozarmos um com o outro devido a essa situa??o.

Para os que auguravam ver-nos chegar a Portugal muito magrinhos, depois deste jantar, ?ramos n?s que come??vamos a preocupar-nos com o aumento de peso em Creta.

As f?rias haviam come?ado, t?nhamos 5 dias de praia pela nossa frente sem termos que nos preocupar com hor?rios ou quil?metros. Era o in?cio da Vida Loca

 

 
 
7?/10?Dia ? 23 a 26AGO (520 Kms)
 
 

Quando comecei o meu planeamento para esta viagem. Cedo deu para perceber da import?ncia das ilhas gregas e o peso que estas t?m no turismo mundial. A palavra ilhas ? repetida um sem-n?mero de vezes em cada texto, em cada coment?rio. O apelo ?s ilhas ? mais que evidente chegando ao extremo de ter lido se ?vai para a Gr?cia fuja para as ilhas?. Um pouco exagerado digamos, mas achei gra?a e ainda hoje me lembro.

Depois da estadia em Creta a opini?o que tenho formada ? que nunca tive turismo de qualidade no continente como aquele que nos foi oferecido aqui. A magia que nos faz apaixonar por Creta, reside nas paisagens ainda selvagens, no azul-turquesa do mar, na temperatura elevada das ?guas, na simpatia das pessoas, no ritmo de vida que aqui abranda significativamente.

Creta ? a maior ilha grega e a segunda maior do mar Mediterr?neo Oriental. O interior da ilha ? bastante acidentado com estradas em m?s condi??es. A melhor estrada percorre a costa norte ao longo de 300 Kms ligando a ilha de ponta a ponta entre Kissamos e Site?a.

Creta ? reconhecida mundialmente como um dos melhores destinos de f?rias. Existem in?meras praias fabulosas sendo a sua maior concentra??o a Oeste da ilha com a famosa Gramvousa (?????????) mais conhecida pela Lagoa de Balos, Elafonisi (?????????) e Falassarna (?????????).

A localiza??o destas praias foi a principal raz?o por termos optado por ficar em Mythimna.

N?o foi f?cil chegar ? praia de Elafonisi (?????????) situada no Sudoeste da Ilha a 76 Kms de Chania (?????). O GPS resolveu atalhar pelo interior e poucos kms depois depar?mo-nos com uma estrada de terra batida em p?ssimas condi??es. Foi a primeira vez em toda a viagem que tive que perguntar a algu?m qual a dire??o a tomar e quando o fiz a resposta veio em grego. Por gestos expliquei que prefer?amos uma estrada asfaltada e n?o em terra. Vi que tinha compreendido mas para mal dos nossos pecados continuava a falar em grego. Foi ent?o que resolvi ignorar aquela ladainha e prestar aten??o para onde apontava. Continu?mos a perguntar ?s pessoas e a resposta vinha invariavelmente em grego. Ter?amos no entanto que continuar a faze-lo at? recuperarmos novamente a confian?a no nosso Gps.

A estrada asfaltada de relativo bom piso ? estreita e cheia de curvas, mas a beleza da paisagem ? deslumbrante.

Chegados ? praia de Elafonisi (?????????) o azul-turquesa do mar em contraste com a areia branca deixaram-nos extasiados com a sua beleza e com uma vontade irresist?vel de entrar naquelas ?guas.

 Estacionar a moto n?o acarretou qualquer problema j? que o parque de estacionamento ? enorme.

Em frente ? lagoa, onde se concentram a maioria dos banhistas, h? chap?us-de-sol, chuveiros, casas de banho e vesti?rios. Nesta zona a profundidade da lagoa ? cerca de 1 metro o que ? ?ptimo para crian?as e nos permite uma travessia a p? at? ? ilha situada em frente.

Foi uma tarde extremamente bem passada a maior parte do tempo na ilha.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

J? a praia de Falassarna (?????????) a escassos 20 Kms de Mythimna n?o ofereceu qualquer dificuldade em l? chegar.

Falassarna ? uma das mais conhecidas praias de Creta, que pela sua beleza, proximidade de Chania e f?cil acesso, atrai muitos turistas principalmente no Ver?o. A praia ? avistada desde o cimo de um morro, do qual se pode observar uma quantidade enorme de estufas e um mar de perder de vista.

A praia ? de areia fina e branca e a ?gua quente e cristalina. J? ganhou diversos pr?mios pela sua beleza e ? constantemente eleita como uma das 10 melhores praias da Europa. O ?nico inconveniente ? estar exposta aos ventos o que origina grandes ondas atraindo por isso praticantes de windsurf.

J? t?nhamos explorado 2 das 3 praias de refer?ncia, era tempo de explorar outros pontos GPS que tinha no nosso Roadbook.

Atrav?s do Google Map sabia da exist?ncia de um lago perdido no interior da ilha.

O Lago Kournas ? o ?nico lago de ?gua doce em toda a ilha, situado num vale entre as montanhas a cerca de 4Kms de Georgioupolis. O lago ? relativamente pequeno e pouco profundo sendo que a sua maior profundidade ? num determinado local onde ultrapassa os 20mts.

O lago Kournas ? ideal para um passeio ou mesmo passar uma tarde j? que a paisagem ? linda e sobretudo relaxante. No lago h? possibilidade de alugar uma ?gaivota? ou Kayak por 7?/hora. No lago existem patos que se aproximam dos turistas em busca de alimentos, bem como tartarugas, gar?as e at? peixes de aqu?rio.

Achei estranha a presen?a destes peixes, vindo a saber ? posteriori que algu?m resolveu ali introduzir sem pensar nas consequ?ncias. Junto ao lago temos a oportunidade de almo?ar enquanto apreciamos a bela vista num dos diversos restaurantes que por aqui existem. Estes restaurantes oferecem na sua maioria pratos tradicionais de Creta a pre?os acess?veis.

 

No mesmo dia que visit?mos o Lago Kournas, n?o quisemos perder a oportunidade de visitar a praia de Georgoupolis a apenas 7Km. Esta praia havia sido referenciada durante a travessia de Ferry de It?lia para a Gr?cia por um simp?tico membro da tripula??o do Superfast XI.

A praia ? de facto enorme e fic?mos a saber que ? um destino tur?stico muito popular. O cen?rio ? indescrit?vel e uma vez mais a temperatura e o azul-turquesa destas ?guas convida-nos a entrar e n?o mais sair.

 

A nossa moto prende as aten??es, n?o foi por isso de estranhar que um jovem Moldavo que trabalhava no bar da praia, nos confidenciasse que juntava dinheiro para comprar uma moto. O plano era fazer uma viagem ? Noruega para visitar uma rapariga que havia estado de f?rias naquela praia. Disse-lhe que era demasiado novo (17 anos) que com aquela idade ainda por cima na Noruega o mais prov?vel era apaixonar-se por v?rias raparigas num s? dia.

Stavros foi uma das praias que mereceu a nossa aten??o. Localizada 17 Kms a nordeste de Chania a sua imagem de marca ? o monte bastante ?ngreme com uma caverna no alto.

A famosa dan?a de Anthony Quinn no filme ?Zorba? realizado em 1964, foi filmada aqui em Stavros.

 

Existem duas praias sendo que a principal fica no sop? do monte ao lado do pitoresco porto. A ba?a ? circular de areia branca e ?gua azul, bem protegida dos constantes ventos que sopram na regi?o.

 

Aqueles que dizem que o para?so n?o existe, nunca visitaram Balos (?????????). ? um daqueles locais divinos que ficam gravados na nossa mem?ria para sempre.

A mundialmente famosa lagoa de Balos est? localizada a 56Kms de Chania e apenas a 17Kms de Kissamos. ? a praia que encabe?a os guias tur?sticos da Gr?cia para convencer os turistas a visitar o seu pa?s. N?o foi por acaso que o Pr?ncipe Charles e a Princesa Diana visitaram Balos no seu iate privado.

Balos ? famosa pelas belas paisagens ex?ticas, as suas ?guas azul-turquesa, pouca profundas e excepcionalmente quentes. J? visitei diversas praias espalhadas pelos diversos continentes e afian?o-lhes que nenhuma se compara em termos de temperatura da ?gua. O meu rel?gio de mergulho reportava uns incr?veis +35?C num determinado local da lagoa. N?o ? por isso de estranhar a aparente letargia que toma conta da maioria dos banhistas. Ali?s eu e a S?nia rimos bastante com esse facto de cada vez que repar?vamos na quantidade pessoas completamente est?tica com ?gua at? ao pesco?o e de bon?.

Podemos aceder a Balos de 3 formas, de ferry (a forma mais f?cil), de 4X4/moto TT, ou a p? numa caminhada de algumas horas.

Para aqueles que pensam visitar Balos de carro, ? entrada ?-lhes cobrado 1? por pessoa e depois preparem-se para uma estrada estreita, perigosa, empoeirada e em p?ssimas condi??es durante 10Kms. Depois de deixar o ve?culo no parque de estacionamento, est? ainda a 2Kms da praia que ser?o percorridos a p?. Se na ida ? sempre a descer o pior mesmo ? a volta especialmente depois de um dia passado na praia. Esta subida ? morosa e muito exigente no aspecto f?sico n?o sendo de todo aconselh?vel a quem tenha problemas card?acos.

Como a nossa moto era de estrada, pedi se podia fazer um pequeno teste e cedo percebi que era escusado arriscar-nos, j? que corr?amos s?rios riscos de partir o c?rter do motor. A pouca dist?ncia ao solo e as enormes pedras enterradas, fizeram-me abdicar da ideia apenas alguns metros depois.

Foi o melhor que fizemos em termos de seguran?a para n?s e para a moto. Estacionava a moto ? sombra junto ? entrada e j? t?nhamos boleia na traseira de uma Pick-up. Na volta tamb?m n?o tivemos qualquer problema porque a S?nia conseguiu boleia logo na primeira tentativa.

Chania tamb?m conhecida por Hania ? a segunda maior cidade e a mais bonita de Creta. Muito por culpa do seu porto onde se concentram museus, igrejas e antigos edif?cios que foram restaurados e s?o hoje Hot?is, Bares e Lojas. O artesanato ? deveras interessante devido ? sua genuinidade e os produtos locais ali expostos s?o muitas vezes para oferta. Ali?s a oferta espreita em cada loja, j? que os turistas s?o chamados a provar as suas especialidades entre elas o famoso Raki. Se nos descuidamos e deixamo-nos ?ir na onda? o mais prov?vel ? apanharmos uma bebedeira de Raki sem que tenhamos pago um c?ntimo.

O artesanato ali exposto, principalmente o da antiga Gr?cia, com olaria e objectos em bronze fazem qualquer cliente perder a cabe?a.

Lembro-me numa loja a quantidade e a qualidade dos produtos expostos. O que mais nos ficou na mem?ria foi uma r?plica do capacete de guerra usado por Aquiles. A qualidade dos detalhes aliados ao pre?o baixo, fizeram-nos desejar, nunca pensei dizer isto, que estiv?ssemos de carro.

 

 

 

11?Dia ? 27AGO (142 Kms)

 

Tudo tem um princ?pio, tudo tem um fim e a nossa estadia em Creta havia chegado ao fim.

O dia foi de despedidas com todos aqueles com quem partilh?mos a nossa estada. Gente de todas as nacionalidades que com a sua amabilidade e generosidade, contribu?ram para que a nossa semana em Creta fosse um tremendo sucesso.

Ao longo da semana Creta lan?ou-nos um poderoso feiti?o. Nos primeiros dias come?amos por sentirmo-nos bem e no final da semana j? fal?vamos em viver aqui o resto dos nossos dias. Foi no adeus, no contacto e na troca de impress?es que percebemos que n?o ?ramos os ?nicos a pensar deste modo.

Turistas de toda a Europa, alguns a muitos milhares de Kms tornaram Creta o seu destino habitual de veraneio. Disseram-nos que voltam a Creta sempre que podem e alguns deles ano ap?s ano, como foi o caso de um casal alem?o que fizeram de Creta a sua segunda casa. Antes da nossa estadia, ter?amos achado estranho esta liga??o t?o forte a Creta, hoje passado uma semana entendemo-la perfeitamente. Voltaremos a Creta t?o certo como envelhecermos, mas da pr?xima com os nossos filhos.

As horas pareciam minutos, demor?mos muito tempo a arrumar a bagagem j? que a nossa vontade de partir era pouca ou nenhuma.

Todos os dias para irmos ? praia t?nhamos apenas que atravessar a estrada e entrar num mar azul-turquesa a +30?.

Tinha no??o que iria ser dif?cil nos pr?ximos tempos recordar os momentos aqui passados sem termos a tenta??o de nos enfiarmos num avi?o.

Antes da partida resolvi por precau??o fazer um check-up rigoroso a todos os ?rg?os mec?nicos da FJR. Depois veio o banho que acabou por limpar de vez o p? e os insectos acumulados de milhares de Kms. Para finalizar, teve lugar a cerim?nia de imposi??o do respectivo autocolante da Gr?cia como reconhecimento pela sua lealdade e fiabilidade durante a viagem.

Foi na praia que aguard?mos calmamente que chegasse a hora da partida.

O trajecto at? ao porto de Souda, onde estaria o ferry da Anek para nos levar de volta ao continente, era sobejamente conhecido. A sua partida estava prevista para as 21h00, t?nhamos de estar presentes com uma hora de anteced?ncia.

Fizemo-nos ? estrada e apesar da hora tardia o calor era tanto que os 39Kms at? ao ferry foram percorridos com os blus?es e viseiras dos capacetes completamente abertos. Chegados ao porto de embarque uma surpresa, este encontrava-se a ?rebentar pelas costuras? contra todas as nossas previs?es.

No interior do ferry era dif?cil circular devido ? quantidade de passageiros que se acotovelavam em tudo quanto era espa?o. Decidimos ir para o Bar no Deck superior onde jant?mos enquanto esper?vamos pela partida do navio.

Tinha conhecimento da paix?o exacerbada dos gregos pelo futebol, mas presenciar essa paix?o ao vivo ? digno de se ver. Impressiona! No enorme televisor do bar decorria um jogo entre duas equipas gregas. Cada vez que havia uma oportunidade de golo era ver uma plateia aos saltos e aos gritos num ritual de histeria colectiva como se estivessem possu?dos por um dem?nio. Fart?mo-nos de rir com o espect?culo a que assist?amos. Dizia eu ? S?nia, se eles s?o assim e o resultado est? zero a zero quando marcarem um golo, n?o sei com ser?.

Foi com 30 minutos de atraso que nesse dia partimos de Creta.

 

 

 

12?Dia ? 28AGO (885 Kms)

 

A chegada do ferry a Piraeus estava prevista para as 06h00, mas devido ao atraso no dia anterior, havia poucas esperan?as que tal viesse a acontecer. Contra todas as expectativas eram 5h30 quando entr?mos no porto. O aviso para os propriet?rios se dirigirem para as suas viaturas ecoou pelo navio. O ferry estava de tal forma sobre-lotado que algumas viaturas ficaram estacionadas inclusive na rampa que d? acesso ao hangar. Devido ? hora madrugadora era ver os donos a chegarem a conta-gotas enquanto outros nem apareciam. Com isto e apesar dos constantes avisos aos altifalantes, t?nhamos um VW Golf a bloquear a rampa sem que o dono aparecesse. Por esta altura j? nos encontr?vamos atracados mas sem que nenhuma viatura do 1? piso conseguisse abandonar o navio. O pessoal das motos, vislumbrava espa?os por entre os autom?veis e aos berros com os automobilistas pressionavam estes a darem-lhes espa?o de manobra. Assim que a primeira moto conseguiu passar foi a debandada geral das 2 rodas. O espa?o entre a antepara e o VW Golf era suficiente para a nossa moto conseguir passar e em poucos segundos est?vamos no cais.

O sol havia nascido h? pouco tempo, havia ainda pouca luz. O ar fresco da manh? entrava pela viseira dos capacetes e ajudava-nos a acordar.

O principal objectivo do dia era bastante claro, visitar a Acr?pole que n?o tinha sido poss?vel no primeiro dia em Atenas. Apesar da hora o tr?nsito era j? intenso mas foi sem dificuldade que o nosso GPS levou-nos a escassos metros da Acr?pole. Estacion?mos a moto, junto a um consult?rio m?dico onde havia gente ? porta a aguardar ser atendida. Magnifico! O local n?o poderia ser melhor, na nossa aus?ncia a moto ficaria debaixo dos olhares dos pacientes.

Como ainda era bastante cedo e o monumento s? abriria portas ?s 08h00, resolvemos tomar o pequeno-almo?o o mais perto poss?vel deste. Pergunt?mos mas logo nos disseram para n?o irmos para a Acr?pole porque l? n?o existiam caf?s ou bares. Mais tarde viemos a constatar que esta informa??o era falaciosa. Acab?mos por optar por uma esplanada em frente ao Museu da Acr?pole degustando uns quentinhos croissants acompanhados por caf? grego.

Finalmente iriamos conhecer o monumento mais importante do ber?o da civiliza??o. Vislumbravam-se poucos visitantes, mas assim que acedemos ?s escadarias, repar?mos na chegada de autocarros cheios de turistas que se preparavam para invadir a Acr?pole. N?s que segu?amos em passo lento, foi num instante enquanto fomos alcan?ados por uma massa humana ofegante que desesperava por seguir o guia tur?stico. Valeu-nos o facto de estes pararem em todas as ?capelinhas? onde o guia falava at? ? exaust?o. Foi gra?as a este pormenor que nos permitiu ter a Acr?pole quase em exclusivo s? para n?s. O que nos chamou a aten??o foram as muitas obras e a enorme degrada??o do monumento. N?o digo que tivesse a ser uma desilus?o, mas convenhamos que pagar 12? por pessoa para ver e fotografar um templo envolto em gruas e andaimes, n?o nos deixa satisfeitos. J? a vista sobre Atenas ? maravilhosa, acabando por ser esta o ponto alto da visita. Mesmo antes de abandonarmos o local, tivemos ainda tempo para observar um grupo de militares marchando junto ?s ru?nas.

Havia delineado uma hora m?xima para permanecermos em Atenas, como o tempo que nos restava era pouco, resolvemos voltar para a moto e iniciar a viagem. Assim ter?amos tempo de sobra, para apreciarmos o trajecto at? Patras sem termos que nos preocupar com as horas.

Foi j? na autoestrada que atrav?s dos espelhos retrovisores vi pela ?ltima vez Atenas. Tenho consci?ncia que se tiv?ssemos vindo de prop?sito para conhecer esta cidade, por esta altura estar?amos com as nossas expectativas defraudadas. Felizmente que o ponto extremo sul se encontrava em Creta e n?o em Atenas e assim foi uma aposta ganha.

Aposta ganha em tudo excepto no pre?o da gasolina. A mais barata que vimos em Creta foi em Chania a 1,76? enquanto ? sa?da de Atenas hav?amos atestado a 1,64?.

Os planos para o resto do dia n?o passavam apenas por chegar a horas ao ferry, antes mesmo de embarcar quer?amos abastecer a moto e fazer umas compras para a viagem.

Efectuar 200 Kms em autoestrada pode parecer uma tarefa simples. Mas temos que nos lembrar que estamos na Gr?cia onde as estradas s?o m?s e o muito calor prejudica. Eram 08h00 em Atenas e j? o term?metro indicava +30?C. At? Patras a temperatura m?dia de viagem fora de +36?C. As constantes obras obrigavam-nos a circular a uma velocidade reduzida e com isso sent?amos ainda mais o calor.

Chegados a Patras, tudo aquilo a que nos propusemos fazer antes de embarcar, fizemo-lo. Lembro-me ? entrada do supermercado um grupo de motards Italianos que gesticulavam apontando para a traseira da nossa FJR. Calculo que tenha sido o autocolante da Finl?ndia (FIN) que comprei numa viagem ? Lap?nia. Por certo acharam estranho ver 2 Finlandeses t?o longe do seu pa?s natal.

T?nhamos tempo de sobra, mas o que quer?amos mesmo era sair daquele calor infernal para o ar condicionado do ferry. Que bom iria ser tirar blus?es e capacetes e tomar uma cervejinha gelada num dos in?meros bares.

Dirigimo-nos directamente para o cais de embarque, n?o sem antes passarmos pelo guarda. Este mandou-nos parar e pediu-nos os bilhetes perguntando se hav?amos feito check-in. Como t?nhamos os bilhetes na nossa posse pens?mos n?o haver necessidade de o fazer como em outras ocasi?es.

Parei a moto em frente ao edif?cio o nosso palpite ? que n?o iria demorar. A S?nia entrou no edif?cio ainda de capacete, eu fiquei na moto desligando apenas o motor. A S?nia tinha deixado os sacos das compras no banco do pendura por isso era for?oso que mantivesse a moto direita e im?vel para que as compras n?o ca?ssem. Debaixo de um sol escaldante com uma temperatura a rondar os +40?C desesperava pelo momento de v?-la aparecer novamente. Os segundos passaram a minutos e as compras ao sol? Estava ficando insuport?vel o suor escorria pelo meu corpo, resolvi retirar o capacete o que aliviou bastante. Por me encontrar apoiado num asfalto escaldante sentia a sola dos p?s a come?ar a queimar. Os minutos passavam e a S?nia sem aparecer. Quando estava prestes a sair da moto, eis que ela aparece. Suspirei de al?vio mas ao mesmo tempo apreensivo quanto ? raz?o da sua demora. Explicou-me que havia ficado retida numa enorme fila mas que no final a ?nica coisa que fizeram foi cortar os bilhetes. Fiquei estupefacto n?o podia querer que estivessem a fazer o mesmo trabalho 2 vezes. Tent?mos abstrair-nos da revolta que sent?amos, quer?amos era entrar no ferry o mais r?pido poss?vel. Chegados ao ferry os bilhetes foram cortados novamente, entr?mos e estacion?mos. Que alivio!

S? t?nhamos que prender os capacetes ? moto e mudar de roupa. As nossas pernas estavam completamente molhadas das protec??es r?gidas e a minha t?shirt podia ser espremida.

O ferry era o mesmo que nos tinha trazido at? ? Gr?cia e agora se preparava para nos levar de volta para It?lia. Os hangares estavam praticamente vazios, j? o mesmo n?o se podia dizer do local destinado ?s motos.

Olhando para o historial do dia, hav?amos partido de Atenas com tempo de sobra e acab?mos por nos instalar apenas 1 hora antes da hora de partida.

Durante a travessia at? It?lia, sab?amos que o ferry iria ainda fazer uma paragem em Igoumenitsa. Foi neste porto que fic?mos com uma ideia mais clara da capacidade deste ferry, ao ver a quantidade de ve?culos presentes no cais para embarcar.

Eram tantos que com isto demor?mos mais tempo em Igoumenitsa do que o inicialmente previsto. As perguntas que se impunham eram se durante a noite conseguir?amos recuperar o tempo perdido e se este atraso iria comprometer a nossa visita a Roma e ao Vaticano.

 

 

 

13?Dia ? 29AGO (1004 Kms)

 

 

O n?mero 13 ? considerado de m? sorte e este dia esteve de acordo com a fama que o precede. As causas e circunst?ncias que fazem com que tenhamos sorte ou azar s?o absolutamente desconhecidas.

Quanto a mim, tento-me proteger do ?azar? ocultando a minha vida e planos futuros dos demais. Durante toda a viagem publiquei no facebook fotos e coment?rios dos locais por onde pass?mos. Coincid?ncia ou n?o, no dia anterior publiquei o seguinte coment?rio: ?At? j?, vemo-nos em Roma.
Pela primeira vez havia divulgado onde nos encontrar?amos no dia seguinte?
Come?ou como um dia normal, tom?mos o pequeno-almo?o a bordo, t?nhamos ainda algumas horas at? chegarmos ao porto de Ancona. No ar pairava a d?vida se hav?amos recuperado o tempo perdido do dia anterior. Era suposto atracarmos ?s 10h30 mas as d?vidas foram dissipadas pelos altifalantes do navio. Ir?amos atracar com uma hora de atraso o que traria repercuss?es na visita a Roma e ao Vaticano.

Cerca das 11h00 fizeram o aviso para os passageiros que tinham ve?culos nos hangares que se encaminhassem para junto dos mesmos. Os corredores e escadas estavam a abarrotar de passageiros e bagagens. Por quest?es de seguran?a as portas de acesso aos hangares abrem poucos minutos antes do navio atracar.

Finalmente e ap?s 2 amea?as de abertura de porta ? 3? foi de vez revelando-nos a enorme confus?o de ve?culos dentro do hangar.

A quantidade de autom?veis tornava dif?cil a simples tarefa de chegarmos at? ? moto. As dist?ncias entre para-choques eram por vezes de tal maneira curtas que as pernas n?o passavam, obrigando-nos a procurar caminho alternativo como se estiv?ssemos num labirinto.

N?o valia a pena colocar blus?es ou capacetes, era ?bvio n?o iriamos sair do ferry t?o cedo. A primeira coisa que alguns condutores fizeram foi ligar o motor. A degrada??o da atmosfera dentro do hangar foi quase imediata com a acumula??o de gases de escape. A espessa cortina de fumo que se adensava no interior fez os ?nimos exaltaram-se. As discuss?es alastravam aqui e ali e s? est?vamos ? espera do momento em que chegassem a vias de facto. Ansi?vamos pelo momento de colocar os pneus em terra o que veio a acontecer s? 1 hora depois do ferry ter atracado.

T?nhamos que almo?ar mas o pouco tempo dispon?vel fazia com que a prioridade fosse outra. Assim e para n?o perdermos mais tempo pass?mos pelo Lidl ? sa?da do porto onde compr?mos comida para o caminho.

Era 1h da tarde e ainda est?vamos em Ancona a sensa??o era que as horas perdiam-se como areia entre os dedos.

O caminho mais r?pido at? Roma, embora mais longo, tinha uma portagem de cerca de 40?. Enquanto por Spoleto, apesar de um pouco mais lento, tinha uma portagem de apenas 5?. A enorme discrep?ncia de pre?os n?o compensava os minutos que se ganhavam.

O percurso por Spoleto al?m de curto e econ?mico era lind?ssimo em termos paisag?sticos. Foram diversas as vezes que me apeteceu parar para apreciar a beleza dos vales e montanhas, mas o factor tempo estava contra n?s.

Como ? do conhecimento geral o micro clima caracter?stico das montanhas faz com que as condi??es atmosf?ricas se alterem por vezes numa quest?o de minutos. O term?metro da moto acusava +31? como 10Kms depois acusava +23?C. Tirando um breve per?odo de chuva fraca, foram basicamente estas as condi??es que se fizeram sentir durante parte da viagem.

Quando se fala em estradas Italianas, imediatamente vem-nos ? mem?ria a quantidade de t?neis existentes. A juntar a este detalhe temos agora outro bem mais preocupante a prolifera??o de radares de controlo de velocidade.

O m?s de Agosto ? o mais procurado para f?rias e por esta altura as grandes capitais europeias est?o inundadas de turistas. O tr?nsito no centro de Roma estava um pandem?nio, com avenidas cortadas e milhares de turistas concentrados junto aos monumentos. A nossa dificuldade em circular no centro da cidade foi enorme, pelo muito tr?nsito e pelo peso excessivo da moto que prejudicava as manobras. S? n?o foi pior porque a Policia autorizava a passagem dos ve?culos de duas rodas nas avenidas cortadas. Visitar monumentos estacionando o ve?culo a apenas dezenas de metros ? um luxo que apenas VIPs e motociclistas conseguem ter.

O Coliseu de Roma foi durante 400 anos o local onde romanos demonstravam a sua superioridade para com outros povos. Faziam-no sobretudo atrav?s da subjuga??o p?blica com requintes de malvadez e crueldade para com outros seres humanos. Muitos crist?os morreram aqui com o ?nico

objectivo de desviar as aten??es da plebe da m? governa??o do imp?rio. Uma t?ctica ainda hoje posta em pr?tica pelos governos de Portugal, bastando neste caso substituir crist?os por funcion?rios p?blicos.

Tirando o seu simbolismo negativo e as paredes de m?rmore terem sido grande parte removidas o Coliseu ainda assim n?o deixa de impressionar.

Depois das fotos era tempo de continuar a explorar Roma, j? que quer?amos deixar para ?ltimo a ?cereja no topo do bolo? a visita ao Vaticano.

Surpreendeu-nos os milhares de pessoas presentes na Pra?a de S?o Pedro. Quer?amos estacionar a moto o mais pr?ximo poss?vel mas aqui, ao contr?rio do Coliseu, n?o abundavam espa?os por mais pequenos que fossem. A poucos metros do Vaticano, um lugar devidamente demarcado no ch?o a tinta amarela com a palavra Polizia, no entanto encontrava-se estacionada no seu interior uma moto de matr?cula Norueguesa. Arrisc?mos estacionando ao lado desta e enquanto prend?amos os capacetes ? moto, prepar?vamo-nos para ser interpelados pela Policia o que felizmente n?o veio a acontecer. Maravilha!

Foi de m?quinas de filmar e fotografar em punho que acedemos ? Pra?a de S?o Marcos na tentativa de rapidamente procedermos ?s fotos e filmagens aproveitando a pouca luz do dia que ainda restava. J? aqui havia estado noutras ocasi?es no caso da S?nia era estreia absoluta. O ambiente que se vive no Vaticano e em F?tima ? ?nico em todo o mundo. A S?nia n?o ? cat?lica no entanto o sorriso estampado no rosto era bem revelador do seu estado de esp?rito.

Eram 18h45 hav?amos atingido a hora limite para a nossa visita ao Vaticano. Altura para seguirmos at? ao porto de Civitavechia a cerca de 1h de dist?ncia, onde ir?amos apanhar o ?ltimo ferry da viagem. Ai chegados logo avist?mos o ferry da Grimaldi Lines que nos iria levar at? Barcelona. Feito o check-in fomos fazer as habituais compras a um supermercado ali perto. Os pre?os dos produtos praticados a bordo s?o uma verdadeira exorbit?ncia se comparados com os produtos adquiridos no supermercado.

O ferry partia ?s 22h00 e por esta altura j? o cais se apresentava repleto de ve?culos. Membros da tripula??o encarregavam-se de verificar os bilhetes ao mesmo tempo que nos informavam que o embarque estava demorado. Com uma espera t?o prolongada e com uma noite t?o apraz?vel, resolvemos fazer um picnic no cais enquanto aguard?vamos. T?nhamos come?ado a comer, quando sem aviso pr?vio, dizem-nos que t?nhamos que montar na moto para n?o atrasar o embarque dos restantes ve?culos. Fic?mos incr?dulos!

Foi com sandes e iogurtes ainda nas m?os que tent?mos arrumar tudo rapidamente. Montei na moto e a S?nia ao tentar fazer o mesmo a moto inclina e pumba, compras para o ch?o. Era ver a S?nia a procurar no escuro as compras que ca?ram e eu sem poder ajud?-la. Ciao It?lia!

 

 

 

14? DIA ? 30AGO (858 Kms)

 

 

 

Existem 3 tipos de pessoas, os mortos, os vivos e os que andam no mar. Neste caso o exemplo ? um pouco exagerado j? que se trata de um luxuoso ferry, mas ainda assim n?o deixa de ser verdade. Passar um dia inteiro no mar ?mata? qualquer um de t?dio.

Desde o in?cio que esta era a travessia que eu mais temia, n?o por mim mas pela S?nia. Nas in?meras travessias que fiz do Mar Mediterr?neo nunca havia apanhado mar-ch?o. Ao contr?rio do Mar Adri?tico que nos deixa mal habituados e que os marujos o apelidam de mar de P?.

A maioria dos percal?os tendem a acontecer no final da viagem, pois ? nesta altura que tendemos a facilitar. Durante as travessias de ferry a S?nia havia tomado comprimidos para o enjoo que eu lhe havia comprado. Na ?ltima n?o o fez e a 4 horas do t?rmino da viagem o ferry foi fustigado por vagas alterosas.

Os 225mts de comprimento e as 55.000 toneladas n?o foram de todo suficientes para que este permanecesse isento de balan?o. Os comprimidos Vomidrine s?o eficazes quando tomados 30 min antes do inicio da viagem o que n?o foi o caso.

A S?nia estava de rastos mal conseguindo levantar a cabe?a que mantinha apoiada numa mesa. Prefiro mil vezes passar um dia inteiro na moto, que fechada num ferry. Lamentava-se! Custava-me imenso v?-la assim, sentia-me impotente j? que nada podia fazer para alivia-la daquele sofrimento.

Apesar das grandes dimens?es o navio come?ava a atingir graus de inclina??o que n?o s? me surpreenderam como comecei a temer pela minha FJR estacionada no hangar. Ao largarmos de Civitavechia o mar estava bom e a previs?o era que se mantivesse assim, dai ter optado por deixar a moto no descanso central. Desloquei-me ? rece??o do navio e transmiti os meus receios ? recepcionista, pedindo que me deixassem p?r a moto no descanso lateral. Foi-me negado o acesso ao hangar, dizendo que durante a viagem havia algu?m no local respons?vel pela seguran?a dos ve?culos. Perante a sua recusa, disse-lhe que a partir daquele momento a companhia era respons?vel pelos danos que ocorressem. Voltava costas quando esta me perguntou pela localiza??o da moto, respondi-lhe e vi que telefonou a algu?m.

Com a aproxima??o ao porto de Barcelona o estado do mar alterou-se para melhor, mas a S?nia nem por isso. Olhei para o rel?gio e para n?o variar, mais uma vez atrasados. Por esta altura para al?m do mau estar da S?nia o que me preocupava tamb?m era o estado da moto.

N?o via a altura para chegar perto da FJR e mesmo quando a vislumbrei ao longe, aparentemente intacta, s? suspirei de al?vio depois de verificar a inexist?ncia de estragos. Em It?lia haviam-na prendido com uma cinta ao conv?s mas agora tinha quatro. Ter? sido por causa da minha chamada de aten??o junto da recepcionista? N?o sei, estava bem e isso ? que interessava.

Enquanto nos apront?vamos para a abandonar o navio a S?nia ?amea?ava-me? a pr?xima viagem se incluir ferries vamos ? volta.

Assim que toc?mos com as rodas no cais foi como se abrissem a gaiola a um passarinho, sent?amo-nos livres outra vez. Hav?amos recuperado novamente o controlo da viagem, pod?amos rolar depressa ou devagar, fazer uma pausa ou pernoitar, ?ramos n?s quem decidia.

Depois de instalados era altura de deslocarmo-nos ao centro de Barcelona para aproveitar as poucas horas que restavam. Os pontos GPS mais importantes estavam introduzidos e ir?amos come?ar por um dos locais mais emblem?ticos de Barcelona a sagrada fam?lia.

Por esta altura reparei que a S?nia ainda n?o estava refeita do enjoo e que era com esfor?o que ela observava a cidade a partir da moto. Decidi por isso estacionar e optei por um passeio a p? o que fez com que esta se restabelecesse mais rapidamente. Foi numa esplanada em frente ? Sagrada Fam?lia que finalmente a S?nia tomou a primeira refei??o do dia. A noite estava agrad?vel e mais agrad?vel ficou com o espect?culo que tivemos o prazer de assistir na fonte m?gica em Montijuc. Foi uma experi?ncia de luz, cor e som que t?o depressa n?o nos iremos esquecer. Jactos de ?gua em permanente muta??o de forma e cor, acompanhados ao som da m?sica ?Barcelona? interpretada por Freddie Mercury e Monserrat Caball?, deixou-nos de tal maneira embevecidos com o que assist?amos, que foi como se o tempo tivesse parado por instantes. Nessa noite adormecemos a ouvir o mar.

 

 

 

15? DIA ? 31AGO (646 Kms)

 

Hoje foi a primeira vez que eu e a S?nia fal?mos sobre o final da viagem. A curta dist?ncia de cerca de 1200Kms permitia-nos ir dormir a casa se assim o entend?ssemos. Mas n?o era esse o objectivo, queria que a S?nia ficasse a conhecer mais uma capital europeia, Madrid.

O despertador fez-se ouvir ?s 07h00 e logo ouvi o mar, l? fora ainda um pouco escuro e corria uma aragem bastante fresca. Na primeira oportunidade par?mos numa esta??o de servi?o e aproveit?mos a promo??o da Repsol, um pequeno-almo?o por 1,75? (caf? e croissant). Muito bom!

Foi enquanto reabastecia que comecei realmente a aperceber-me do frio que fazia. Era ainda cedo a temperatura iria subir, no entanto a influ?ncia dos Piren?us faria porventura que as temperaturas se mantivessem baixas. Resolvi n?o arriscar, vesti uma Sweat Shirt e protegi o pesco?o com uma ?manga? de l?. Disse ? S?nia para fazer o mesmo, mas esta disse-me que a T?shirt era suficiente. Insisti j? que sabia que ela iria ter frio, mas sem sucesso, quando as mulheres metem uma coisa na cabe?a, n?o h? nada a fazer.

Decidimos perder o amor a uns euros e opt?mos pela autoestrada, al?m do percurso ser mais r?pido era tamb?m significativamente mais curto. At? Zaragoza apesar do c?u azul e do sol a temperatura manteve-se sempre baixa. Apesar disso sentia-me confort?vel s? me apercebendo do ar g?lido cada vez que abria a viseira do capacete. S?o condi??es ideais para se viajar j? que o motor respira bem e os pneus sofrem um menor desgaste.

Quem n?o estava bem era a S?nia e s? vim a sabe-lo quando par?mos para reabastecer. Estava toda encolhida e disse-me que tinha vindo com frio durante todo o caminho.

Na bomba de gasolina, enquanto a S?nia se recompunha, tive a oportunidade de conhecer 2 casais Franceses, viajavam numa Goldwing 1800 e numa BMW 1200. Conversa puxa conversa e o tema acaba por ser sempre o mesmo, de onde vens e para onde vais. Quando lhe dissemos que v?nhamos de Creta e ?amos para Lisboa, ficaram perplexos. Eram propriet?rios de motos tur?sticas puras, no entanto a viagem mais longe que haviam feito tinha sido ao norte de Espanha. Deus d? nozes a quem n?o tem dentes, sempre assim foi e sempre assim ser?. Despedimo-nos destes simp?ticos Franceses, n?o sem antes os incentivar a alargarem os horizontes das suas viagens.

A nossa entrada em Madrid deu-se mais cedo do que o previsto e num ?pice vimo-nos em frente ao Hotel Ibis em Madrid. Ainda me lembro dos tempos em que me orientava atrav?s de mapa hoje com GPS poupa-se tempo e dinheiro.

Depois de devidamente alojados era altura de irmos ? descoberta de Madrid. Sempre que coloco no Road Book os locais a visitar, organizo-os por relev?ncia e proximidade. A destacar:

Gran Via ? ? uma das principais ruas de Madrid com lind?ssimos edif?cios que albergam com?rcio, cinemas, teatros e lazer. Come?a na Rua Alcal? e termina na Plaza de Espan?, este tro?o ? conhecido pela Brodway madrilena.

Plaza de Espa?a -  ? enorme e fica situada bem no centro de Madrid, ladeada por grandes edif?cios constru?dos na d?cada de 50. Existe ainda uma fonte de grandes propor??es e uma est?tua de Don Quijote e Sancho Pan?a.

Plaza Mayor ? Tamb?m no centro da cidade, foi aquela que consider?mos como a mais bela das pra?as madrilenas por n?s visitadas. Tem uma forma rectangular e ao contr?rio da plaza de Espan? nesta abundam esplanadas e restaurantes.

Pal?cio Real ? Tamb?m denominado como pal?cio do oriente ? a resid?ncia oficial do Rei de Espanha e o maior pal?cio real da Europa. Por ser a resid?ncia oficial do Rei, este encontrava-se fortemente vigiado, n?o sendo permitida a aproxima??o de turistas na entrada norte.

Puerta del Sol ? Apesar do nome n?o passa de uma pra?a e tem enormes parecen?as com a nossa baixa do Rossio. Este ? um dos locais mais famosos e concorridos, principalmente na passagem de ano j? que se encontra aqui o rel?gio que faz tradicionalmente a contagem decrescente para a entrada do novo ano. ? tamb?m neste local que se encontra o quil?metro zero das estradas espanholas.

Visit?mos ainda a Plaza Cibeles a Catedral de Almudena o Parque del Retiro e por ?ltimo o Museu do prado.

Foi uma tarde deveras produtiva, sent?amos o cansa?o dos kms a p? e de moto, mas com isto prov?mos que para conhecer os pontos de maior interesses numa cidade n?o ? preciso uma semana.

Regress?mos ao Hotel, jant?mos e pela primeira vez escut?mos not?cias sobre Portugal.

 

 

 

 16? DIA ? 01SET (655 Kms)

 

 

O ?ltimo dia ? sempre um misto de alegria e tristeza. Alegria pelo reencontro com a fam?lia e amigos, tristeza pela viagem terminar.

Como a tirada de hoje tinha pouco mais de 600 Kms demo-nos ao luxo de levantar mais tarde. N?o t?nhamos hora de chegada, sendo a nossa ?nica preocupa??o n?o chegar j? de noite. Nessa manh? o nosso pequeno-almo?o teve de tudo um pouco, sumo, iogurtes, p?o, fiambre, queijo e at? tortilha castelhana.

N?o reabastecemos a moto no dia anterior j? que o pre?o da gasolina em Madrid era bem superior ?quele que ir?amos apanhar durante a viagem.

Nesse dia opt?mos por fazer pausas para descanso a cada 150Kms com o objectivo que uma delas coincidisse com a hora de almo?o. No dia anterior hav?amos decidido fazermos um almo?o tipo picnic numa ?rea de descanso. Uma ideia que ? partida parecia simples mas que come?ou a complicar-se com o passar das horas e dos kms. Hav?amos chegado a Badajoz e ainda n?o t?nhamos avistado nenhum local capaz para o efeito.

Entendi parar na bomba da Galp antes de cruzarmos a fronteira, n?o s? poupar?amos uns euros em gasolina como ficar?amos com a suficiente para o resto da viagem.

Finalmente um pouco antes de Borba par?mos para almo?ar. O local, apesar de perto da estrada era bastante apraz?vel, com ?rvores e at? um grande lago. Quando viajamos em Portugal somos constantemente surpreendidos com locais lind?ssimos como este, com potencial para o turismo e completamente desconhecidos da maioria dos Portugueses (38.829731,-7.409455).

Almo??mos ? sombra das ?rvores enquanto contempl?vamos a paisagem ao som do canto das cigarras. N?o havia mesa, mas esse era um detalhe de menor import?ncia j? que tudo o resto estava ?timo incluindo a salada. Depois do almo?o a pr?xima paragem seria o Porto Alto onde estariam ? nossa espera o M?rio e a Paula.

Foram 160Kms pela frente, percorridos debaixo do calor t?rrido da paisagem Alentejana que chegou aos +36?C. Pass?mos pelo Vimieiro, Mora, Coruche e finalmente o Porto Alto onde os nossos amigos j? nos aguardavam junto ? sua CBR 1100XX.

Nos sms trocados, havia informado que chegar?amos ?s 16h30, acab?mos por chegar 15min depois. Nada mau! O M?rio desde o in?cio sempre se mostrou um dos principais entusiastas e seguidores da nossa viagem atrav?s do facebook. O seu interesse e amabilidade foram tal que ele e a sua esposa predispuseram-se a acompanhar-nos nos derradeiros kms da viagem.

Era not?rio o entusiasmo ? mesa, n?s pelo sentimento de miss?o cumprida, eles por ouvirem os pormenores da viagem.

Quem sabe n?o nos acompanham na pr?xima aventura, mas enquanto n?o chega, aproveit?mos para rolar juntos at? casa. Obrigado ao M?rio e ? Paula e a todos quantos nos acompanharam atrav?s do facebook.

THE END

 

Viajar at? ? Gr?cia

Viajar para o continente ou ilhas? A maioria dos turistas opta por ?fugir? para as ilhas. Conclu?da a nossa viagem, partilhamos da mesma opini?o. Fomos em agosto, hoje ter?amos optado pelo m?s de Setembro.

Os bilhetes de ferry t?m que ser adquiridos antecipadamente, sobretudo se est?o a pensar ir em julho ou Agosto.

Numa viagem ? Gr?cia os hor?rios dos ferries ditam a lei. Para aqueles que est?o habituados a viajar com reservas esta situa??o n?o causa qualquer transtorno. Para os mais rebeldes o melhor mesmo ? desfrutar da viagem e esquecer este handicap.

 

Cumprimento de objectivos

Estabelecemos um or?amento de 2000? para a viagem o qual cumprimos. Apesar de um or?amento curto e de gastos controlados, n?o abdic?mos de nos divertir, dando-nos inclusive ao luxo de cometer extravag?ncias sem que com isso tenhamos ultrapassado o or?amento.

2000 ? pode ser considerada uma viagem Low-Cost?

O pre?o de um pacote tur?stico de 7 dias em Creta ronda os 1000? por pessoa.

Gast?mos 2000? numa viagem com uma estadia de 5 dias em Creta visit?mos ainda Cannes, M?naco, G?nova, Atenas, Roma, Vaticano, Barcelona e Madrid durante 16 dias.

Qual seria o pre?o desta viagem numa ag?ncia de turismo?

 

Total de Quil?metros: 9002 Kms

 

 

 

 

 

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